Após a votação do Brexit, Jovens Europeus Veem com Cautela um Futuro Unido
Alguns anos atrás, a Viacom International conversou com jovens ao redor do mundo sobre sua visão do futuro em 2020 (dica: foi bastante otimista). Os jovens europeus que participaram do estudo naquela época falaram sobre as várias oportunidades disponíveis para eles na Europa, incluindo viagens, carreira e exploração cultural geral.
Na sequência da votação da Grã-Bretanha para sair da União Europeia no mês passado, a Viacom International entrou em contato novamente com sete entrevistados do Reino Unido, Itália, França, Espanha, Holanda e Suécia para saber suas reações ao Brexit e entender como suas visões do futuro haviam mudado.
Este post é o primeiro de uma série de três que aparecerão neste verão sobre a juventude europeia e suas opiniões sobre o futuro de uma Europa unida.
A unidade das diferenças torna a Europa mais forte
Estes jovens geralmente não se sentem “europeus”: eles são suecos ou espanhóis, escandinavos ou mediterrâneos. Ou sua identidade é mais complexa (esta geração é a mais etnicamente diversificada até hoje). Vejamos a Luxisle, por exemplo, que nos contou:
“Eu não posso me definir como europeia. Eu me defino como francesa atualmente vivendo no Reino Unido e original de Camarões.” (Luxisle, 26 anos, de Paris, agora vivendo em Londres)
Então, eles não se sentem exatamente europeus. E eles também não romantizam sobre a União Europeia. Eles reconhecem que é imperfeita, frágil, uma aliança incômoda de culturas muito diferentes.
Mas a União Europeia significa algo para eles. Parte do seu poder simbólico é justamente sua diversidade: é um símbolo de unidade e colaboração, de apoio mútuo, de “indivíduos num grupo” – “juntos mas diferentes” (Unni, 21 anos, Estocolmo). Como diz Gloria (21 anos, Itália):
“Mesmo que (a UE seja) 28 países e existam 24 línguas oficiais, nós ainda somos capazes de nos ver como um todo… e como nações separadas. O mais bonito sobre a Europa são suas características singulares: a beleza da Itália, a produtividade da França, a inteligência da Alemanha. Somos como uma grande família. Poderíamos ser uma família realmente grande se continuássemos trabalhando juntos pelo futuro.” (Gloria, 21 anos, Roma).
O Brexit não pôs um fim aos seus sonhos, mas os tornou mais complicados ao deixar o futuro mais incerto.
Como Elin (31 anos, Estocolmo) disse, “Nós somos mais frágeis do que pensamos.”
A juventude europeia já está lidando com um mercado de trabalho difícil, e a decisão do Reino Unido adiciona uma dose extra de preocupação sobre como poderá ser o futuro da economia e da política na Europa.
“O Brexit é mais um tijolo retirado da casa que eu estou tentando construir para o meu futuro.” (Gloria, 21 anos, Roma)
Os jovens britânicos também não estão mais seguros sobre as liberdades com as quais eles cresceram. Existe uma sensação de estarem presos no Reino Unido. “Como será a acolhida dos outros países em relação aos britânicos depois que nós nos afastamos deles?” pergunta Jasmine (16 anos, Londres).
Um problema do Reino Unido por enquanto, com um impacto incerto além das suas fronteiras
Após conversar com jovens europeus, a sensação é de que é cedo demais para afirmar com certeza quais serão os efeitos do Brexit a longo-prazo. Nem os especialistas sabem.
Sondando sobre o efeito potencial nos seus próprios países, eles sentiram que o Brexit pode impactá-los de formas que ninguém ainda sabe. Talvez os preços locais aumentem devido ao custo da importação; talvez a bolha imobiliária de Estocolmo exploda.
Mas eles acreditam que o impacto do Brexit será sentido com maior força pelo Reino Unido: no comércio, na economia, na atratividade como um lugar para se viver e abrir uma empresa, e na unidade do Reino (muitos acreditam que a Escócia tentará sair novamente). O impacto será sentido muito mais na Europa se outros países europeus, particularmente a França e a Alemanha, seguirem nesta mesma direção.
Embora exista muita incerteza nesta fase, os jovens europeus expressaram suas preocupações em relação ao conflito entre o futuro que eles estão lutando para construir para si mesmos e as barreiras colocadas pelo isolacionismo e pelas gerações mais velhas.
Nós abordaremos estas preocupações nos outros dois posts sobre este assunto.