No início deste mês, Geraldine Roman foi eleita para o Congresso nas Filipinas, fazendo história como a primeira política transgênero eleita neste país conservador e católico.

Roman travou uma batalha dura num ciclo eleitoral bastante machista.  Seu oponente a descreveu como “uma pecadora indigna”, o campeão de boxe Manny Pacquiao se candidatou e venceu uma cadeira no senado após se pronunciar duramente contra o casamento de pessoas do mesmo sexo, e Rodrigo Duterte, o presidente eleito cujos comentários ultrajantes incluíram votos para ser “um ditador”, e executar 100.000 criminosos.

Influenciados pela Igreja Católica, o divórcio, o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo continuam ilegais nas Filipinas, e as pessoas transgênero não podem mudar legalmente seu nome nem sexo.

A vitória de Roman mostra que, apesar destes obstáculos, as atitudes em relação às questões da comunidade LGBT nas Filipinas estão evoluindo rapidamente. O Logo e a Viacom acabaram de disponibilizar os resultados da pesquisa ILGA-RIWI 2016 “Global Attitudes Survey on LGBTI People”, realizada com cerca de 100.000 entrevistados em 65 países, incluindo as Filipinas. Entre suas descobertas está o fato de que as Filipinas estão na frente das médias globais em termos de aceitação da comunidade LGBT.

A pesquisa mostrou que as atitudes em relação à comunidade LGBT nas Filipinas contam com muita compaixão. A maioria dos entrevistados concordam que os direitos humanos devem ser aplicados para todos, independente de por quem eles se sintam atraídos ou do gênero com o qual se identificam (70% Filipinos versus 66% no mundo). Eles também foram mais propensos a concordar que o “bullying” dos jovens LGBT é um problema significativo (57% versus 51%).

Os filipinos ficam muito confortáveis com a presença de pessoas LGTB. Três em cada quatro disseram que não se importariam se seu vizinho fosse gay ou lésbica (contra 65% globalmente) e 70% não se preocupariam se não pudessem identificar o gênero do seu vizinho à primeira vista (contra 64% globalmente).

Eles também foram mais propensos do que os entrevistados globais a dizer que seu sentimento em relação às pessoas LGBT melhorou nos últimos 5 anos (42% versus 34%). Entre os entrevistados filipinos deste grupo, conhecer uma pessoa gay foi o principal motivo para este sentimento mais positivo, seguido pelas opiniões de amigos e familiares.

Os entrevistados filipinos também eram consideravelmente mais propensos a conhecer uma pessoa gay dos os entrevistados globais (61% vs. 46%). Deste grupo, 64% dos filipinos disseram ter pessoas próximas da família ou bons amigos que são gays (versus 49% globalmente).

Uma área onde as atitudes dos filipinos estão atrasadas em relação aos outros países é o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Apenas 23% dos entrevistados filipinos acreditam que deve ser legalizado (versus 33% globalmente). Curiosamente, a própria Roman declarou que ainda não é totalmente favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, embora ela seja a favor de uma proposta para introduzir uma legislação para as uniões civis. O tempo dirá se esta posição é um movimento político para parecer mais alinhada com as posições relativamente tolerantes (mas ainda não de aceitação total) do Papa Francisco em relação a questões chave da comunidade LGBT.

Além disso, quase dois terços dos entrevistados filipinos disseram que ficariam chateados se um dos seus filhos lhes dissessem que estavam apaixonados por alguém do mesmo sexo. O principal sentimento aqui parece ser menos uma sensação de não aceitação do que um desejo de proteger seus filhos dos desafios legais e outras formas de descriminação que a comunidade LGBT filipina enfrenta.

Assim políticos como Roman podem apoiar a legislação para aumentar  os direitos LGBT nas Filipinas, eles têm a chance de expandir a aceitação do público através da sua influência. Quase um terço dos entrevistados filipinos disseram que seria mais provável aceitar alguém da comunidade LGBT se sua celebridade favorita também aceitasse (29% filipinos versus 21% globalmente).

Roman disse que evitou os ataques dos seus opositores ao contar para o público a história da sua vida e seus desafios – e, ao fazer isso, ganhou 62% dos votos. Se ela e outros continuarem a contar suas histórias, é possível que, um dia, as leis das Filipinas se aproximem das suas atitudes mais progressistas.